domingo, 10 de junho de 2012

Amostra do material de apoio didático utilização na aula de apresentação do projeto.

Amostra do referencial bibliográfico mostrado durante a apresentação do projeto.

Registro/Filmagem:

Link do vídeo da aula expositiva do Projeto Interdisciplinar: “Leitura poética da obra de Cora Coralina através da técnica Assemblage” produzido pela aluna Cleusa Corrêa e disponibilizado no Youtube.

RELATÓRIO DE EXECUÇÃO DO PROJETO INTERDISCIPLINAR

No dia 01 de junho de 2012 foi realizada a apresentação do projeto interdisciplinar: Leitura poética da obra de Cora Coralina através da técnica Assemblage, a qual ocorreu na Escola Municipal Walda Miranda de Paiva, Formosa, Goiás, mais precisamente na sala de vídeo para as alunas do 6º Ano, turmas “A” e “B”, turno matutino. Na ocasião houve a exposição dos materiais de apoio didático como: Meu livro de Cordel (2008) de Cora Coralina; Poemas dos becos de Goiás estórias mais (2006); folder de divulgação contendo a síntese do projeto; amostra de 13 imagens das obras de Leda Catunda; DVD – documentário: “Recortes de Leda Catunda” contendo depoimentos da artista (TV Escola, 2001) e três obras que eu produzi com a aplicação da técnica Assemblage para melhor exemplificação.
A aula de apresentação e prática da proposta são frutos da culminância do projeto interdisciplinar mencionado, uma exigência da disciplina Projeto Interdisciplinar de Ensino e Aprendizagem 2 aos alunos do curso Licenciatura em Artes Visuais da Universidade de Brasília – UnB. Meu projeto teve motivação no desejo de obter maior conhecimento a respeito da obra da poetisa Cora Coralina, da pintora e escultora Leda Catunda que possuem o gosto em comum por retratar a simplicidade do cotidiano em suas criações e sobre a técnica Assemblage.
Com esse projeto desejo, além de usar arte para aplicar conhecimentos artísticos, ensinar arte fazendo uso da visualização dos poemas de Cora Coralina, substituindo as palavras por imagens e usando as criações de Leda Catunda como inspiração, pois ela faz uso da técnica Assemblage, meu ponto de interesse. Assim, ocupando o período de duas horas/aula instrui um grupo de alunas a realizarem produções artísticas a partir da visualização do poema “RIO VERMELHO” da poetisa Cora Coralina. Devido ao tempo restrito destinado a essa explanação teórica e prática auxiliei as participantes a fazerem uso de recursos que vão além da pintura e colagem, a Assemblage – “técnica que conceitua-se como sendo na arte contemporânea, obra tridimensional, figurativa ou não, que reúne objetos e/ ou materiais diversos, não convencionais, para obter um efeito insólito e romper com as técnicas tradicionais da pintura e da escultura”. Portanto, justifica-se a escolha da pintora Leda Catunda, exemplo de artista a dar origem a composições fazendo uso de suportes e objetos diversificados.
Por acreditar nesta proposta artística e entrever que há benefícios ao público alvo em propor a visualização e materialização do poema escolhido: “RIO VERMELHO”, fazendo uso da técnica Assemblage, pois o trabalho repercuti-ra, no emprego da criatividade, espontaneidade, estética, senso de observação, originalidade, aproveitamento de materiais reutilizáveis, no desenvolvimento social, nas relações interpessoais, no cognitivo/comportamental e também irá cativa-las a gostarem das aulas de artes, entre outras vantagens.
É com satisfação que posso afirmar que a exposição oral e visual do projeto agregado à aula prática, apesar das adversidades encontradas em sua execução foi bem sucedida e aceita, visto que as alunas aprovaram e se interessaram em fazer parte do projeto. A atenção dispensada por elas no momento da explanação permitiu que eu me sentisse confortável, segura e motivada a concretizar o projeto interdisciplinar: Leitura poética da obra de Cora Coralina através da técnica Assemblage.
Por fim, este relatório tem por objetivo cumprir com a exigência feita pela professora/tutora Pritama Brussolo como mecanismo de avaliação e aferimento do que foi realizado na aula de apresentação e prática do projeto.

REFERÊNCIAS

Para Ler e Pensar. Cora Coralina: Biografia e poemas. Disponível em:<http://www.paralerepensar.com.br/coracoralina.htm>. Acesso em: 01 junho 2012.
Para Ler e Pensar. Poema: Cora Coralina, que é você? Disponível em: <http://www.paralerepensar.com.br/coracoralina.htm#CORA_CORALINA,_QUEM_É_VOCÊ_0.> Acesso em: 01 junho 2012.
ArtePrática. Entrevista Leda Catunda. Disponível em: http://www.artepratica.com/entrevistas/page31/page31.html. Acesso em: 01 junho 2012.
GOOGLE. Imagem Leda Catunda. Disponível em:< http://www.google.com.br/search?q=imagem+leda+catunda&hl=pt-BR&rlz=1R2RNTN_pt-BRBR350&prmd=imvnsbo&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=ODCqT-tkh7T1BOn27awG&ved=0CFcQsAQ&biw=1024&bih=641>. Acesso em: 01 junho 2012.
ASSEMBLAGE. Disponível em: <http://forum.wordreference.com/showthread. php?t=2072160>. Acesso em: 01 junho 2012.
ITAÚ CULTURA. Leda Catunda. Disponível em: <http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index. cfm?fuseaction=artistas_criticas&cd_verbete=2427&cd_item=15&cd_idioma=28555.> Acesso em: 01 junho 2012.
METRÓPOLIS – RETROSPECTIVA LEDA CATUNDA EM SÃO PAULO. Disponível em:<http://mais.uol.com.br/view/xiddtuwnvlqs/metropolis--retrospectiva-leda-catunda-em-sao-paulo-04023472E4B10366?types=A.> Acesso em: 01 junho 2012.
CATALOGO DAS ARTES. Leda Catunda. Disponível em: http://www.catalogodasartes.com.br/Lista_Obras_Biografia_Artista.asp?idArtista=3627&txtArtista=Leda%20Catunda%20-%20Leda%20Catunda%20Serra. Acesso em: 01 junho 2012.
O ESTADO DE S. PAULO. FAZENDO ARTE NO ATELIÊ DE LEDA CATUNDA. Disponível em: http://txt.estado.com.br/suplementos/esta/2006/10/21/esta-1.93.27.20061021.1.1.xml. Acesso em: 01 junho 2012.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

POEMA "RIO VERMELHO" DE CORA CORALINA.


RIO VERMELHO
CORA CORALINA
1
Tenho um rio que fala em murmúrios.
Tenho um rio poluído.
Tenho um rio debaixo das janelas
Da Casa Velha da Ponte.
MEU RIO VERMELHO
2
Águas da minha sede...
Meus longos anos de ausência
Identificados no retorno:
Rio Vermelho – Aninha.
Meus sapos cantantes...
Eróticos, chamando , apelando,
Cobrindo suas gias.
Seus girinos – pretinhos, pequeninos,
Inquietos no tempo do amor.
Sinfonia, coral, cantoria.
MEU RIO VERMELHO
3
Debaixo das janelas tenho um rio
Correndo desde quando?...
Lavando pedras, levando areias.
Desde quando?...
Aninha nascia, crescia, sonhava.
4
Água – pedra.
Eternidades irmanadas.
Tumulto – torrente.
Estática – silenciosa.
O paciente deslizar,
O chorinho a lacrimejar
Sutil, dúctil
na pedra, na terra.
Duas perenidades –
sobreviventes
No tempo.
Lado a lado – conviventes,
diferentes, juntas, separadas.
Coniventes.
MEU RIO VERMELHO
5
Meu Rio Vermelho é longínqua
Manhã de agosto.
Rio de uma infância mal-amada.
Meus barquinhos de papel
Onde navegavam meus sonhos;
Sonhos navegantes de um barco:
Pescadora, sonhadora
do peixe-homem.
6
Um dia caiu na rede
Meu peixe-homem...
todo de escamas luzidias,
todo feito de espinhos e espinhas.
7
Rio Vermelho, líquido amniótico
Onde cresceu da minha poesia, o feto,
Feita de pedras e cascalhos.
Água lustral que batizou de novo meus cabelos brancos.

Coralina Cora, 1889- 1985. Poemas dos becos de Goiás e estórias mais/ Cora Coralina. – 23ª ed. – São Paulo: Global, 2006.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

VISTA DA COMUNIDADE DO PARQUE LAGO.

POEMA RIO VERMELHO DE CORA CORALINA

RIO VERMELHO
CORA CORALINA
Longe do Rio Vermelho.
Fora da Serra Dourada.
Distante desta cidade,
não sou nada, minha gente.

Sem rebuço, falo sim.
Publico para quem quiser.
Arrogante digo a todos.
Sou Paranaíba pra cá.
E isto chega pra mim.

Rio Vermelho das janelas da casa velha da Ponte...
Rio que se afunda debaixo das pontes.
Que se reparte nas pedras.
Que se alarga nos remansos.
Esteira de lambaris.
Peixe cascudo nas locas.

Rio, vidraça do céu.
Das nuvens e das estrelas.
Tira retrato da Lua.

Da Lua quarto-crescente
Que mora detrás do morro.
Lua que veste a cidade de branco
E tece rendado de marafunda
Na sombra das cajazeiras.

Rio de águas velhas.
Roladas das enxurradas.
Crescidas das grandes chuvas.
Chovendo nas cabeceiras.
Rio da contagem das eras.

Rio – mestre de Química.
Na retorta das corredeiras,
Corrige canos, esgotos, bueiros,
Das casas, das ruas, dos becos
da minha terra.

Rio, santo milagroso.
Padroeiro que guarda e zela
a saúde da minha gente,
da minha antiga cidade largada.
Rio de lavadeiras lavando roupa.
De meninos lavando o corpo.
De potes se enchendo d´água.
E quem já ficou doente da água do rio?
Quem já teve ferida braba, febre malina,
pereba, sarna ou coceira?

Rio, meu pobre Jó...
Cumprindo sua dura sina.
Raspando sua lazeira
nos cacos dos seus monturos.
Rio, Jó que se alimpa,
pela graça de Deus, Virgem Santa Maria,
nas cheias de suas enchentes
que carregam seus monturos.

Ponte da Lapa da minha infância...
Da escola da Mestra Silvina,
do tempo em que eu era Aninha...

Ponte do Carmo, querida,
dos namorados de longe.
Por onde passava enterro,
dos anjinhos de Goiás,
que iam pro cemitério,
pintadinhos de carmim.
Caixãozinho descoberto.
E a música tocando atrás
A Valsa de Despedida.

Ponte nova do Mercado
- foi pinguela do Antônio Manuel,
Banheiro da meninada.
Ponte do Padre Pio dos potes d´água.
Carioca de nós todos.
Pinguelona dos destemidos,
Contando a estória de um sino.

Sino grande, imprensado,
Nas locas da cachoeira.
Sino da Igreja da Lapa,
que rodou na grande enchente
tocando pro rio abaixo.
Até que parou imprensado
nas pedras da Pinguelona.

Gente que passa ali perto
conta estória do sino:
Inda toca à meia-noite
quando a cidade se aquieta,
E as águas ficam dormindo.

Tange, pedindo uma graça:
Que algum cristão caridoso,
O salve daquele poço,
o tire debaixo d´água.
Pois seu destino de sino
é no alto de uma torre
Abençoando a cidade.
Dando aviso para o povo
- louvar a Deus poderoso.

Poço da Mandobeira...
Poço do Bispo...
Poço da Carioca...
Sombras de velhos banhistas dos velhos tempos.
Sabão do reino no bolso.
Toalha passada ao ombro.
Cigarro de palha no bico.
A vitamina do banho.
Banho da Carioca.
Águas vitaminadas...
Rio Vermelho – meu rio.
Rio que atravessei um dia
(Altas horas. Mortas horas.).
há cem anos...
Em busca do meu destino.

Da janela da casa velha
Todo dia, de manhã,
Tomo a bênção do rio:
0 “Rio Vermelho, meu avozinho,
Dá sua bença pra mim...”

Referência
Coralina Cora, 1889- 1985. Poemas dos becos de Goiás e estórias mais / Cora Coralina. – 23ª ed. – São Paulo: Global, 2006.